Crime e os Jogos


Matéria de: 06/08/2013

Não frequentei, nem pretendo cursar Psicologia e nem estudar o comportamento humano.

No entanto, não precisei de nenhuma instrução acadêmica nesse âmbito, para me tornar um cidadão de bem, pai de família amoroso, um marido que ama sua esposa e uma pessoa que tem muitos amigos e respeita e procura fazer um ambiente familiar saudável.

E isso não me faz um santo.

Muitas e muitas vezes, me vi desejando coisas ruins para quem eventualmente me prejudica, já ofendi, já briguei, já fiz coisas erradas.

Tudo de ruim que eu fiz ou possa fazer, é consequência dos meus atos, vontades e defeitos.

Fico extremamente triste quando vejo, notícias do tipo bizarra, anormal como pai matando filho, filho matando pai, latrocínios, sequestros, barbárie contra animais e crianças, estupro, pedofilia, corrupção, assassinos de escola, traficantes e a crescente apologia ao crime e a bandidagem, seja por atitudes ou "música" de qualidade duvidosa.

Pior ainda fico eu, quando vejo que todas essas atitudes negativas e criminosas, são atribuídas a elementos que SABEMOS não terem NENHUM tipo de ligação direta com a ação.

E a bola da vez, mais uma vez, são os jogos eletrônicos.

Já foi Doom, Mortal Kombat, Carmageddon, GTA, Counter Strike e no caso mais recente, Assassin's Creed.

Quando é que será a índole, a personalidade problemática, o ambiente familiar, a criação, a falta de amor tanto próprio quanto recebido?

Adoro jogos violentos desde moleque.

Que moleque não gosta de jogos de ação? De sentir o poder? De decidir se destrói ou não o oponente?

Isso nunca me transformou em nenhum assassino em potencial, ou pessoa violenta.

Adoro jogos de esporte, nem por isso virei jogador profissional de Futebol ou automobilista.

Se os jogos são o problema, quando é que virarei prefeito de uma cidade como em Sim City?

Se os jogos são o problema, preciso saber onde está a minha riqueza adquirida com tanto empenho através dos anos jogando Monopoly, o famoso Banco Imobiliário?

Não sei sequer segurar um revolver, mas aprendi ao longo de noites em lan houses a executar alguns "head shots" no Counter Strike e a lançar granadas nos inimigos e comemorar suas mortes virtuais com bom humor.

Não é de hoje que vemos a mídia de massa, manipulando informações, transformando matérias tristes em "assuntos da semana" e cheios de sensacionalismo pelo simples motivo banal chamado: audiência.

Vale tudo para alcançar esse objetivo e assim, trazer publico que na teoria, vai consumir a informação banal e os produtos anunciados nos intervalos ou nas páginas da revista, jornal ou em pop up nos sites por aí.

Inclusive dizer com letras garrafais "Perfil de assassino em rede social tinha foto do jogo X" e assim, acabando com a reputação de empresas sérias que trabalham com um entretenimento que apesar de divertido, NEM SEMPRE É PARA MENORES DE IDADE OU CRIANÇAS.

Existe um tipo de regulamentação que NÃO É SEGUIDO por ninguém nesse país, que classifica o conteúdo do entretenimento de acordo com a idade de quem pode consumi-lo.

Não posso ser hipócrita aqui em dizer que sigo isso, pois NÃO SIGO essas classificações senão, não teria jogado Mortal Kombat (e outros) na adolescência, mas nunca peguei uma faca e passei no pescoço de nenhum familiar, ou abri fogo dentro de um cinema ou shopping.

Isso é caráter.

É ter ciência do certo e do errado.

Mídia sensacionalista, inconsequente e sem ética.

Apontar culpados não nos cabe, mas cabe sim dizer que a imprensa é IRRESPONSÁVEL em taxar que um jogo é responsável pela morte de uma família ou suicídio.

São programas que não possuem foco algum e em sua produção extremamente mal feita, colocam pseudo-apresentadores para fazer um jornalismo irrea, que é apoiado por palhaços em ternos que falam pausadamente, procurando causar riso na população em cima de tragédias e problemas do cotidiano de uma cidade como São Paulo.

A novela traz adultério, criminalidade, preconceito racial e sexual, desigualdade social como coisa natural e aceitável, o mal vencendo até os 45 do segundo tempo e pagando caro depois, ricos esnobando pobres e uma desenfreada vontade de vingança em massa nos seus 60 minutos diários de lixo tele dramatúrgico.

E isso é "bonito", é assunto, é conversa...

Não existia videogame na época do holocausto.

Filmes violentos, com temáticas de complexidade e temática adulta estão aí espalhado aos montes, e raramente, na verdade eu nunca vi, alguém dizer que tal crime foi motivado ou influenciado por que o criminoso, tinha em sua videoteca, filmes desse tipo.

Quando é que a personalidade e os transtornos pré-existentes serão realmente os gatilhos para tais ações hediondas?

Integrantes dessa mídia sensacionalista barata e de péssima qualidade procurem entender que é óbvio que se a pessoa tem distúrbios de comportamento e atitudes suspeitas, ela vai procurar coisas que liguem certos "pontos" em seus complexos sistemas de pensamento e façam sentidos.

Não existiam videogames nas cruzadas e torturas em nome de Deus.

Bom, não consigo mais acreditar na evolução cultural em massa nesse país.

Acredito que num futuro, as coisas infelizmente vão piorar e caberá a cada um de nós, de bom senso, procurar com calma por informações de bom teor, de cultura de verdade e separar assim, o joio do trigo.

Amanhã, espero não atropelar nenhum idoso, atirar em transeuntes nem pilotar tanques de guerras ao me dirigir ao trabalho.

Deixo isso para os momentos de lazer com meus amados jogos.

Ah! Fuja dessa mídia, mas não deixe de criticá-la e assim, minar suas forças pouco a pouco se isso for possível.

Espero que você também faça o mesmo e me perdoe por ter feito você ler tudo isso.

Ubisoft (e outras tantas softhouses), também lhe peço perdão em nome do povo de bem, por um país que te cobra horrores em impostos e ainda usará seu bom Assassin's Creed, para culpar e motivar um crime e assim, dar uma escondida no Mensalão, Corrupção e tantos outros problemas sociais.

Brasil, um país de tolos.

João Carlos Alves
Old School Gamer

Desenvolvedor web, casado, moro em São Paulo e sou pai da Amandinha. Amo Final Fight acima de todos os jogos e Street Fighter II jamais será superado!
@oldschool_gamer

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Tiago Almeida07/08/2013

Não foi a primeira nem será a última vez que veremos notícias de crimes relacionado aos games, acho que é a primeira coisa que perguntam quando prendem o sujeito, "você tem videogame? Joga alguma coisa?". O videogame compete com a TV, é mais interessante assistir os lixos que passam, enquanto você baba no sofá, do que se desenvolvendo com games.

Excelente texto, parabéns!

Valter Reis07/08/2013

Sabe o que acho o mais estranho? Na época ninguém falou de Postal e Postal ll,passaram ilesos e eram super violentos.

Estevão07/08/2013

Ótimo texto!

Ricardo Sanches07/08/2013

Falou muito bem, o que dizer sobre um país onde cultura é desfilar pelado na rua, é assistir futebol sem se preocupar com a corrupção la fora, não irar culpar as novelas com tantas bizarrices, para a mídia é mais facil culpar coisas mais simples, como um mísero jogo, a tendência será piorar mais com o tempo

alexandre dias07/08/2013

Depois dessas e outras, eu como gamer e brasileiro, tenho cada vez mais nojo desse pais de merda! E os games sempre serão os inimigos nº 1 da midia de massa, porque hoje tem mais gente jogando PS360 no horario nobre do que dando ibope pra elite de hipocritas!

Rafael08/08/2013

Ótimo texto amigo. Parabéns.

Leandro10/08/2013

E assim a indústria de games no Brasil só se fode, com o perdão da palavra.
Primeiro a ministra do sexo, digo, da cultura Marta Suplicy que diz que game não é cultura.
Agora esses sensacionalismos de merda. Vamos pegar como exemplo o bode expiatório da vez, Assassin's Creed: Ele nos conta a história, revivencia uma época que é matéria que cai em provas dos ensinos Fundamental e Médio.
É tanta hiprocisia, que tenho medo dos games serem proibidos e termos que trafica-los para jogarmos.